terça-feira, 19 de outubro de 2010

AVALIAÇÃO EM EAD

Edson Gonçalves dos Santos
Pedagogo


Segundo Garcia (19985), Educação a Distância  é um sistema tecnológico de comunicação bidirecional, que substitui o contato pessoal professor/aluno, como meio preferencial de ensino, pela ação sistemática e conjunta de diversos recursos didáticos e pelo apoio de uma organização e tutoria, que possibilitam a aprendizagem independente e flexível dos alunos.

De acordo com Kegan (1991), os elementos centrais para caracterização da Educação a Distância são:

a) Separação do professor e aluno no espaço e/ou tempo.
b) Controle do aprendizado realizado mais intensamente pelo aluno do que pelo profesor.
c) Comunicação entre alunos e professores é mediada por documentos impressos ou alguma

Na opinião de Petri (1996), a EAD deve ser compreendida como uma modalidade de se fazer educação pela democratização do conhecimento, onde o conhecimento deve estar disponível a quem se dispuser a conhecê-lo, independente do lugar, do tempo e de engessadas estruturas formais de ensino.

Consoante a modalidade a distância, precisamos refletir de que maneira o aluno, que transita nesta modalidade, poderá ser avaliado. A avaliação em EAD possui características que são resultado do paradigma educacional proposto ao processo de ensino-aprendizagem e à natureza do processo específico. De acordo com Gonçalves (1996) “A avaliação, não importa a missão que se lhe proponha cumprir, parece ter o dom de despertar nas pessoas suas defesas mais escondidas. E, na educação, um processo revestido de tituais complexos, que resulta por torná-la um mito. No caso da avaliação da aprendizagem, tal mitificação ao invés de possibilitar às pessoas maior consciência de como está se desenvolvendo internamente o processo de construção do conhecimento, termina por confundi-las, tornando-as dependentes de algum veredicto externo que determine se estão aprendendo ou não”.

Segundo Gunawardena E Zittle apud Medeiros (op. cit.), um ensino centrado no aluno, como é a EAD, traz profundas transformações no processo de avaliação. Algumas dessas transformações são fontes de intermináveis debates entre educadores, políticos e empresários da área de ensino. Dentre elas podemos citar:

a) Adoção e consequente valoração de uma navegação por hipertexto dentro do contexto da Internet.
b) Aceitação de múltiplas tecnologias nos diferentes momentos de EAD.
c) Ênfase em tecnologias que estimulem a ambientação e o apoio sócio-afetivo, como resultado de pesquisas sobre a contextualização nos países latinos e africanos.
d) Previsão de contínuo e permanente apoio ao estudante, com frequentes feedbacks.
e) Entendimento e a prática de vivência de trabalho como um time integrado.
f) Necessidade de coordenação e apoio das atividades em geral e nos diversos ambientes e "sites" em particular; além da permanente necessidade de avaliação do Ensino à Distância e da Educação à Distância em particular.

De acordo com Medeiros (op. cit.), cabe a cada ambiente de aprendizagem, no seu sentido estrito e amplo, a existência de processos do tipo alavancagem, como proposto por Vygotsky em seu delineamento dos níveis de desenvolvimento proximal em relação ao real/potencial e em direção a uma aprendizagem autônoma e emancipatória, onde se incluem as ideias de Habermas. Na medida em que o desenvolvimento emancipatório e autônomo, implica em um resgate dos conceitos de participação qualificada, de compromisso, de colaboração. Estes pressupõem uma relação equilibrada, de busca de igualdade real, sem perda da qualidade, da autoridade, mas, principalmente, sem perda da autoria e da autonomia social e individual construída pela criação de argumentos. É com base na construção de argumentos que se trabalha processualmente a aprendizagem e, nela, a avaliação. Nessa perspectiva, a aprendizagem é continuamente buscada na ação dos sujeitos. Ainda para Gonçalves (op. cit.), o comentário, tantas vezes repetido, de que não é séria a ação de Ensino a Distância que dispensa a exigência da avaliação presencial da aprendizagem, confirma a percepção de uma relação de desconfiança, entre educador e educando, além de a educação ser vista como algo externo ao indivíduo. Prossegue ainda em suas assertivas: “Há situações em que a presencialidade na avaliação é condição de aperfeiçoamento da aprendizagem - aquelas que envolvem algumas habilidades motora complexa, por exemplo. Nestas situações, a não previsão de avaliação ou de avaliação presenciais poderia ser tida como irresponsável; pois, se é imprescindível para a aprendizagem, torna-se um direito do aluno a ser respeitado” (Gonçalves, op. cit.: 07). Na maioria das vezes, para fins de avaliação da aprendizagem no Ensino Superior à Distância, a presencialidade é exigida; Isto acontece, menos por ser necessário e mais porque não se conseguiu desenvolver formas de avaliar que superem da presencialidade. Uma situação de avaliação que, por exemplo, permita consultas a documentos de qualquer natureza, não tem porque ser presencial – no entanto, a lógica demonstra que, no Ensino a Distância, é muito complicado avaliar mudanças de comportamento, memorização e atitudes que não de forma presencial.

Assim, podemos considerar que a avaliação em EAD é limitada atualmente conforme o paradigma educacional adotado. Se o objetivo for preparar mão de obra qualificada para o mercado ou aperfeiçoar profissionais já formados, o atual modelo de avaliação é apropriado para verificar esses objetivos. Mas, se o objetivo é a formação de pessoas críticas e conscientes, o modelo atual é limitado, pois fica reduzido a dados quantitativos e a função formativa da avaliação não é empregada. Além disso, é muito difícil, do ponto de vista psicológico, que algum tipo de tecnologia consiga substituir o contato humano no processo educacional entendido como processo de formação da personalidade.




2 comentários:

  1. De ante da análise, vejo a avaliação como momento de expor os conhecimentos adquiridos no decorrer da disciplina. A contextualização, propõe fornecer conhecimentos necessário para desenvolvermos novas formas de pensar e agir.

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  2. Observa-se que a avaliação é um dos elementos imprescindíveis ao sucesso da EAD haja vista ser um processo que mede o nível de conhecimento absorvido pelo aluno. Diante da leitura do texto observamos a visão de vários teóricos acerca de tal procedimento onde colocam a avaliação nesta modalidade de ensino como sendo um processo bidirecional, com um caráter demcratizador do conhecimento, como sendo um ensino centrado no aluno etc. Sendo assim podemos comentar a avaliação por várias óticas.

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